Vez ou outra faço alguns textos aqui pra falar sobre assuntos que são pertinentes na minha vida e que podem ajudar vocês em algum momento. Mas a tal da sinceridade não me deixa mentir e hoje, esse texto é um desabafo pra me ajudar.

Há anos que eu venho lutando contra os padrões impostos pela sociedade. “Tem que ser magra, tem que vestir 38, tem que gostar de fazer exercícios, tem que comer saladas de todos os tipos” e por aí vai. Nunca me encaixei nos padrões da sociedade e talvez nunca me encaixe, mas eu não vou ser hipócrita e dizer que não gostaria de ter uns quilos a menos, a coxa mais fina, o bumbum mais firme, a bochecha um pouco menor, dois números de sutiã a mais. Queria poder falar pra vocês que finalmente aprendi a me aceitar e gostar daquilo que vejo no espelho, mas essa não é a realidade. E não tem porquê eu mentir aqui.

Sou uma das pessoas mais inseguras que conheço e todos os dias tenho uma luta contra os pensamentos que ser uma pessoa insegura me traz. Quando digo que não gosto de certas coisas em mim, não é pra fazer charme e ouvir um elogio. É ótimo ser elogiada e elogiar os outros também, mas não é isso que vai reverter tudo aquilo que a sociedade nos impôs durante anos e anos. É claro que não é por isso que eu deixo de elogiar ou de aceitar os elogios. Tenho lá meus dias de olhar no espelho e pensar “ah, tá tudo bem, eu me gosto assim”, mas tem dias que olhar no espelho é difícil e machuca.

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Mas agora vou relatar uma situação que aconteceu num consultório médico, na fila de espera, e acabou mexendo muito comigo. Quem me conhece pessoalmente sabe que meu padrão corporal sempre foi gordinha. Meus braços são gordinhos, eu tenho uma barriguinha que não me deixa fingir e da cintura pra baixo eu sou repleta de curvas (e já não tenho mais vergonha delas sabe?). Até aí tudo bem. Eu estava num desses dias de me olhar no espelho e gostar do que vejo. Passei um batom escuro pra me sentir poderosa sabe? E lá, na fila de espera, uma menina, alguns quilos acima do meu peso, veio conversar comigo. “Oi, você é muito bonita sabia? Eu adorei o seu batom” e entre os “obrigada” que eu falava, ela me disse uma frase que marcou bastante: “Eu não uso batom escuro porque sou gorda e não quero chamar mais a atenção pra mim”. GENTE. Eu me vi naquela menina há anos atrás. A primeira vez que usei um batom vermelho ouvi muita gente falando coisas ruins sobre mim POR SIMPLESMENTE USAR UM BATOM VERMELHO! É estranho ver como podemos influenciar outras pessoas né? Nem que seja na fila da padaria, do médico, do banco. E é por isso que eu tentei ser, naquele momento, uma boa pessoa para ela se influenciar. Pode usar batom sim, pode usar saia, pode usar qualquer coisa desde que você se sinta confortável consigo mesmo. Confesso que me doeu ouvir aquilo e por isso decidi fazer esse desabafo com vocês.

Eu passei anos lutando contra esses padrões e tentando desconstruir na minha mente tudo aquilo que foi construído durante muitos anos. Não é fácil e não vou dizer que consegui. Mas todos os dias eu trabalho isso em mim. É uma luta diária. Não sou o melhor exemplo de como se amar e se aceitar, mas juro que tenho feito a minha parte e tentado ao máximo. Hoje, posso dizer que tenho mais dias de me olhar no espelho e gostar do que vejo do que me odiar eternamente pelo corpo que gostaria de ter. Enfim, queria deixar um recado para as meninas que também tem dificuldade em se aceitar: é você e sua mente lutando todos os dias. Tente ser mais gentil consigo mesma. Eu sei que é difícil e que a cabeça vazia é oficina do diabo né? Mas vamos tentar olhar com bons olhos para o nosso corpo. E não só para o nosso físico, na real, olhe com cuidado e carinho para quem você é, quem você quer ser, faça uma análise daquilo que você pode melhorar ou daquilo que tá bom e você quer manter. Eu sei que é difícil não se comparar com a blogueira tal ou com a youtuber x, mas a gente pode ser a nossa melhor versão também né? Ainda não estou completamente no time das “self love”, mas confesso que depois daquele papo no consultório médico, eu senti que quanto mais eu me amar, mais eu passo isso para as pessoas e aí a gente vai espalhando amor por aí sabe? Não é fácil, mas é importante e a gente consegue viu?

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E olha só… Eu sempre tive vergonha de ir a praia e mostrar o meu corpo. Esse ano, eu já comprei meu biquíni e meu maiô e eu tô louca pra ir pra praia e aproveitar o máximo que eu puder! Dane-se se fulano acha que estou com uns pneuzinhos a mais, dane-se se não faço parte do projeto panicat. Eu vou com o meu corpo e vou aproveitar porque depois de anos tentando quebrar essa barreira, eu mereço né? E vocês também! Então se joguem! Ahaha <3

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