Já falei algumas vezes aqui no blog sobre auto estima, sobre aceitação e vocês devem ter percebido que fiquei alguns meses sem falar mais sobre né? Pois é, assim como qualquer ser humano, eu “falhei” nessa história de auto aceitação. Pra mim sempre foi muito difícil aceitar a coxa grossa, a barriga que fica marcada depois de muito tempo sentada, aquela gordurinha nas costas embaixo do sutiã ou até mesmo a papadinha no queixo. Sempre fui muito cobrada dentro de casa para emagrecer e entrar nos padrões da sociedade. Escutei diversas vezes “tão bonita de rosto, pena que é gordinha…” e é claro que isso me acompanhou por muitos anos.

Ilustração: Zoé Bonenfant

Depois da faculdade senti que amadureci em diversos sentidos. Achei que também teria aprendido a me aceitar. Claramente eu estava enganada. Continuava indo nas lojas de roupas e escolhendo uma calça 40/42 ou procurando por uma blusa M, mesmo sabendo que ela iria me deixar desconfortável. Eu nunca aceitei o corpo que tenho e sempre tentei me encaixar nos padrões da sociedade. E foi aí que ontem, pela primeira vez em anos, entrei em uma loja e escolhi roupas para o meu corpo, do meu tamanho, independente de ser G ou 44. Mas o melhor foi olhar no espelho e ver que eu realmente me senti a vontade, me senti bonita, me senti finalmente sendo eu. E aqui vão as fotos dentro do provador mesmo porque precisei registrar esse momento.

Todos esses pensamentos surgiram quando iniciei a transição capilar. Durante anos fiz chapinha, progressiva, escova disso e daquilo porque não gostava do meu cabelo volumoso, não gostava dele “ao natural”. Quando comecei a transição, entrei em diversos grupos para trocar dicas e informações e passei a entender que cabelo bonito é aquele que a gente tem desde que nasceu. Claro que meu cabelo mudou, mas se hoje ele é assim, ondulado, com frizz e meio desengonçado, vou aceitar e cuidar pra que ele continue bonito e saudável. Assim como sempre me gostei de cabelo comprido, pode ser que daqui alguns meses/anos eu volte aqui falando que cabelo curto é a melhor coisa da vida. A gente muda. E tá tudo bem. Mas a gente tem que se sentir a vontade consigo mesmo.

É isso que eu tenho buscado. Não é amadurecer, isso faz parte de todo o processo. Eu quero poder olhar no espelho e me sentir a vontade com o corpo que tenho, com o cabelo que tenho, com a personalidade que tenho. Me aceitar do jeito que eu sou. A Renata que tem a coxa grossa, o nariz e dentes tortinhos, o cabelo bagunçado e amassado, o peito do pé alto, a barriga que fica marcada depois de horas sentada, que canta e dança enquanto dirige, que dá risada de coisa besta, que gosta de assistir filmes, mas também gosta de matar um tempo na internet… A Renata que é feliz com tudo isso. Chega de ficar me cobrando e tentando entrar em um modelo que não me faz bem, não me deixa confortável. Conforto é tudo viu? 

A mudança começa de dentro pra fora. Por mais que o meu noivo fale que eu sou bonita, que meu cabelo ao natural é bonito e que meu corpo é lindo, só compreendi o que ele falava quando finalmente passei a me aceitar. Ele sempre me apoiou e sempre me enalteceu como a mulher mais linda do mundo. Ainda não posso dizer que eu sou a mais linda do mundo, mas que estou me achando linda, eu tô sim e tudo bem se elogiar tá? Sei que esse é um processo demorado e que ainda vão existir aquelas recaídas. Talvez eu volte aqui mais vezes para falar sobre esse assunto, talvez não. Só queria compartilhar com vocês que a vontade de querer se aceitar tem que partir da gente mesmo e por mais que os outros nos elogiem, nós só vamos nos sentir bem quando aprendermos a aceitar quem a gente é do jeitinho que é. E ah, também não tem nada de errado em querer mudar para poder se aceitar. Eu mudei o cabelo, alguns quilos na balança, mas mudei principalmente a maneira de me olhar. Espero que vocês também consigam.

P.S: E tudo bem se as pessoas fizerem cara feia ou não gostarem do que vêem, viu? A gente não nasceu para agradar a todos e as pessoas não são obrigadas a nos amar. Se eu gostar do que tô vendo no espelho, tá tudo bem. Depois que a gente aprende a se aceitar, aprende até a dar risada das caras feias. 

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4 comments on “Papo Reto: A Renata como ela (realmente) é”

  1. Que post mais lindo! Também me incomodo com algumas coisas, mas precisamos nos questionar se é o que queremos ou o querem que a gente seja… Muitas vezes, os padrões estão tão enraizados que não sabemos distinguir. Ah, e você é maravilhosa, sério! Nas fotos te achei tão magra que não acredito que você se sinta mal com seu corpo. E boa sorte com a transição capilar <3

    Um beijo, Carol
    Blog com V.

    • Muito obrigada Carol!! Mas não se iluda com as imagens do provador, ahaha. Antes eu me incomodava muito mais com o meu corpo, mas o que que tem a gente ter alguns quilos a mais né? O importante é a nossa essência e essa eu posso te dizer que é muito sincera e feliz! Obrigada mesmo por ter gostado do blog. Volte sempre e muito sucesso pra ti também! Um beijão <3

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